NBC TG 51: O que muda na nova estrutura da DRE

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NBC TG 51: O que muda com a nova estrutura da DRE a partir de 2027?

  • Atualizações Regulatórias
  • 9 de setembro de 2026

A contabilidade brasileira está prestes a passar por uma de suas maiores transformações recentes na comunicação financeira. A NBC TG 51 – Apresentação e Divulgação nas Demonstrações Contábeis, que corresponde ao CPC 51 e à norma internacional IFRS 18, estabelece uma nova estrutura obrigatória para a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE).

Com o objetivo de melhorar a transparência, a comparabilidade e a compreensão do desempenho financeiro das empresas globais e nacionais, a nova norma substituirá a antiga NBC TG 26. A obrigatoriedade vale para os exercícios anuais iniciados em ou após 1º de janeiro de 2027, mas o trabalho de adaptação precisa começar agora.

Abaixo, detalhamos as principais mudanças, os impactos práticos e o que a sua empresa precisa fazer para se preparar.

Principais mudanças na DRE com a NBC TG 51

A estrutura tradicional da DRE será reformulada por meio de novas categorias e subtotais padronizados. As principais alterações envolvem:

1. Classificação em cinco categorias obrigatórias

As receitas e despesas da companhia deverão ser agrupadas nas seguintes frentes:

  • Operacional: engloba as atividades principais da empresa e todas as receitas e despesas que não se enquadram nas demais categorias.

  • Investimento: resultados de ativos que geram retorno de forma individual e independente (como aplicações e determinados investimentos).

  • Financiamento: receitas e despesas associadas à obtenção de recursos financeiros.

  • Tributos sobre o lucro: IRPJ, CSLL e seus respectivos reflexos.

  • Operações descontinuadas: resultados de atividades encerradas ou colocadas na categoria de mantidas para venda. (Nota: Instituições financeiras, seguradoras e empresas de investimento/financiamento podem exigir análises específicas).

2. Novos subtotais obrigatórios

Para gerar maior uniformidade e facilitar comparações de desempenho entre diferentes empresas, a nova DRE exigirá a apresentação explícita de subtotais como:

  • Lucro ou prejuízo operacional;

  • Lucro ou prejuízo antes de financiamento e tributos sobre o lucro;

  • Lucro ou prejuízo líquido.

    3. Medidas de desempenho definidas pela administração (MPDs)

    A norma traz regras rígidas para a divulgação de indicadores ajustados utilizados em relatórios e apresentações públicas. Caso a empresa utilize métricas próprias, elas deverão vir acompanhadas de nota explicativa detalhando:

    • A forma de cálculo e a justificativa de uso;

    • A conciliação direta com os subtotais contábeis previstos;

    • Os efeitos tributários e a participação de não controladores;

    • Explicações sobre eventuais alterações metodológicas.

    4. Agregação e desagregação de informações

    As empresas precisarão revisar o nível de detalhamento em suas demonstrações contábeis e notas explicativas, garantindo que itens de características semelhantes sejam agrupados e que valores relevantes apareçam de forma isolada.

    Impactos práticos da transição para as empresas

    A implementação da NBC TG 51 vai muito além de uma simples alteração estética no formato da DRE. O processo exigirá uma força-tarefa multidisciplinar envolvendo:

    • Revisão completa do plano de contas;

    • Reclassificação histórica e prospectiva de receitas e despesas;

    • Adaptação dos softwares contábeis e sistemas de consolidação;

    • Atualização de relatórios gerenciais e KPIs de desempenho;

    • Alinhamento integrado entre as áreas de Contabilidade, Controladoria, Relações com Investidores (RI) e Auditoria;

    • Treinamento prático das equipes envolvidas.

    Atenção redobrada ao período comparativo (2026)

    A aplicação da norma será retrospectiva. Isso significa que as demonstrações financeiras de 2027 precisarão apresentar os valores comparativos do exercício de 2026 já ajustados à nova estrutura da NBC TG 51.

    Além disso, no primeiro ano de vigência, a empresa deverá divulgar uma conciliação detalhada demonstrando a ponte entre os valores reapresentados pela nova norma e aqueles que haviam sido divulgados anteriormente sob a vigência da NBC TG 26.

    Conclusão: O planejamento deve começar em 2026

    Embora a obrigatoriedade passe a valer em 2027, esperar o prazo final é um risco alto para a segurança jurídica e financeira da organização. Iniciar o planejamento estratégico ao longo de 2026 é fundamental para mapear contas, desenhar novos critérios de classificação e assegurar informações comparativas confiáveis.

    A NBC TG 51 redefine o padrão de comunicação do desempenho corporativo. Sua empresa já iniciou o mapeamento para essa transição?

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